Publicado por: marlenecrossa em: março 10, 2009
“Investir em boas estratégias não somente ajuda a criança a se adaptar, como também contribui para um menor desgaste emocional e físico por parte da educadora responsável pelo processo de adaptação da criança ingressante.”
Para que o ingresso escolar ocorra de uma maneira menos estressante tanto para a criança como para os pais e educadores, é importante que as escolas invistam em boas estratégias de adaptação. Salientamos que não se sugere aqui um programa padronizado, pois cada escola conta com diferentes recursos, número de profissionais e rotina. Trata-se apenas de um direcionamento com o objetivo de ajudar as escolas a organizar, dentro de suas possibilidades, ações que melhorem esse processo.
Estratégias para serem realizadas antes do ingresso da criança na instituição.
Primeiramente, é importante que a instituição realize uma entrevista com os pais da criança ingressante no momento da matrícula, com o objetivo de transmitir-lhes segurança em relação à escola. Além de obter dados acerca da criança, como alimentação, sono, rotina, higiene, lazer, doenças, dentre outras informações, é nessa hora também que deve informar aos pais alguns aspectos relevantes sobre a escola, como, por exemplo, o atendimento prestado, os objetivos da instituição, as normas, a rotina. (RIZZO, 2000).
Caso existam muitas crianças que estejam ingressando no ambiente escolar, a instituição pode realizar uma reunião com todos os pais, pois, assim, eles poderão compartilhar suas angústias, suas preocupações com a entrada da criança nessa nova etapa, e a escola terá a oportunidade de transmitir todas as informações citadas anteriormente de uma única vez. (VITÓRIA; ROSSETTI-FERREIRA, 1993).
Nesse momento, é importante investir nos pais, já que eles exercem uma influência muito grande sobre o comportamento da criança: se eles estiverem seguros e tranquilos em relação à instituição que escolheram e ao atendimento que ela e seus educadores prestam, transmitirão essa segurança e tranquilidade à criança, ajudando-a na adaptação (VITÓRIA; ROSSETTI-FERREIRA, 1993), mas, se estiverem ansiosos e inseguros, poderão passar esses sentimentos para seus filhos.
Antes que a criança passe de fato a frequentar a instituição, a mãe pode levá-la até lá para mostrar o novo ambiente e para apresentar a educadora que ficará responsável por sua adaptação e, se for possível, as outras crianças. Em casa, pode conversar sobre as atividades que são realizadas no ambiente escolar e sobre as outras crianças. É importante que transmita uma mensagem repleta de sentimentos positivos à criança, de segurança e de tranquilidade. Essa estratégia é considerada facilitadora do processo de adaptação, pois a mãe pode preparar a criança antes de ela ingressar na instituição. (BRAZELTON, 1994).
Estratégias para serem realizadas quando do ingresso da criança na instituição.
No primeiro dia, uma boa sugestão é deixar à disposição da criança brinquedos atrativos, mostrar os ambientes previamente organizados e apresentar a educadora responsável pela sua adaptação. (VITÓRIA; ROSSETTI-FERREIRA, 1993). Também nesse dia é ideal a criança permanecer somente algumas horas e, com o tempo, estender seu tempo de permanência até alcançar o período todo. É importante adotar essa estratégia porque permite uma transição gradual dos cuidados prestados pela mãe aos cuidados do novo ambiente, prestados pelas educadoras, o que minimiza as consequências da separação entre a mãe e a criança. (RAPOPORT; PICCININI, 2001).
Outra estratégia é permitir a presença de um familiar junto à criança que a estimule a explorar o novo ambiente, a se relacionar com a educadora e com outras crianças. Depois, a mãe ou esse outro familiar deve ficar apenas na recepção da instituição e, gradativamente, diminuir seu tempo de permanência na escola até o afastamento completo. (RAPOPORT; PICCININI, 2001).
Nas primeiras separações, a mãe deve entregar a criança para a educadora responsável pela adaptação. Esta deve ter como tarefa não deixar a mãe sair sem se despedir da criança, ajudando-a a lidar com a situação e também a entender que a mãe vai embora, mas retornará depois. É importante que esse papel seja desempenhado sempre pela mesma educadora, não havendo trocas de educadoras nos primeiros dias da criança ingressante, para que esta se sinta segura em relação a uma pessoa da instituição e crie um vínculo com ela. (BONDIOLI; MANTOVANI, 1998).
Algumas dessas estratégias podem ser difíceis de ser implementadas, por exigirem muitos profissionais, dedicação e tempo. Porém, existem algumas que são de fácil adequação, como, por exemplo, permitir que a criança traga de casa um objeto de que goste muito para que se sinta mais segura (uma coberta, um urso, um álbum da família ou até mesmo uma foto de sua mãe ou o brinquedo favorito), ou permaneça durante algum tempo brincando com um irmão ou um primo que estude na mesma escola, ou telefone para sua mãe, caso ela não possa permanecer na escola durante os primeiros dias para acompanhar a adaptação. Além disso, a educadora pode elaborar algumas atividades que ajudem a criança a lidar com a separação. (BALABAN, 1988). Para pôr em prática as estratégias citadas, é necessário que as escolas tenham uma preocupação e um comprometimento diante do processo de adaptação para facilitar a transição dos cuidados prestados em casa para a escola e minimizar as consequências da separação.